4 de dez de 2013

Tonsilectomia

Há tempos tenho conseguido uma regularidade semanal de publicações no blog, entretanto na última semana fiquei devendo, pois acompanhava Adam no hospital para a realização de uma pequena cirurgia de redução das amigdalas. Redução das amigdalas ou retirada? - perguntamos ao médico na primeira vez que ele nos falou da necessidade de tal procedimento, - redução, disse ele, a tonsilectomia completa só é recomendável em casos muito específicos.

Procuramos um otorrino pela primeira vez ainda no ano passado, quando descobrimos que as amigdalas dele eram enormes. Imediatamente pensamos que seria necessário retirá-las, procedimento que fizeram a mim e ao pai dele, entretanto qual foi a nossa surpresa ao descobrirmos que apesar de ter virado moda nos anos 80, a retirada das amigdalas só se justifica quando a criança ou adulto tem uma amigdalite crônica, ou seja, frequentes infecções nas amigdalas, que além de obrigá-la a recorrentemente tomar antibióticos, aumentando a resistência do organismo a eles, pode resultar em outras doenças graves como febre reumática que se não tratada traz complicações cardíacas.

Mas por que as amigdalas são importantes? As amigdalas são como uma fábrica de anticorpos que protegem o organismo contra germes que entram pela boca e nariz. Em função do constante contato com germes, comuns quando a criança põe a mão na boca e come qualquer coisa, normalmente elas crescem entre a idade de dois a oito anos o que nem sempre representa um problema. A partir do momento que o contato com os germes se reduz as amigdalas também diminuem. Portanto, a retirada das amigdalas sem que elas sejam realmente necessárias, simplesmente por moda, deixa nosso corpo indefeso contra infecções.

Adam é um bom exemplo de que uma criança com SD não precisa necessariamente sofrer de todas as possíveis enfermidades típicas às pessoas com T21. Apesar de frequentar um kindergarten desde um ano e dois meses, ele tem o sistema imunológico bastante forte e raramente contrai uma infecção. Até agora, com quase três anos de idade, foram exatamente uma amigdalite (logo que entrou na escola) e uma otite media. Desta forma todos os especialistas que o acompanham foram categóricos ao não recomendar a retirada completa das amigdalas, mas sim fazer uma redução através de uma técnica que se utiliza de laser para tal procedimento.

Vale ressaltar que amigdalas demasiado grandes estão no grupo de possíveis causas de distúrbios do sono, portanto sua redução, assim como a retirada das adenoides, faz parte de qualquer procedimento que detecte que a criança possui alguma irregularidade no processo do sono.

E na última semana, finalmente, Adam ingressou no hospital para a tal cirurgia. Em função da SD toda vez que realizamos algum procedimento no aparelho fonador os médicos aproveitam para verificar as adenoides e também os ouvidos e todo o processo normalmente não demora mais que meia hora. Para as crianças que realizam apenas a redução da amigdala com laser, o procedimento dura em media 15 minutos. Outra vantagem da técnica é que a recuperação é extremamente rápida e menos dolorida, Adam fez a cirurgia às 8h da manha e às 12h já estava comendo “Käsespätzle”, além do risco de hemorragia ser bastante menor.

Após a cirurgia fomos informados que foi necessária a retirada das adenoides que haviam reincidido (ele havia retirado em fevereiro desse ano) e também foi encontrado líquido nos dois ouvidos, sendo que o esquerdo apresentava uma aparência bastante cerosa, provavelmente resquícios da otite que teve no último verão, e portanto foi implantado um tubo para que a drenagem seja completa.

Nesse aspecto é muito importante que nossos pequenos tenham um acompanhamento frequente dos ouvidos e das adenoides, pois em função de sua anatomia particular, é bastante comum que uma otite deixe líquido nos ouvidos e que as adenoides, mesmo retiradas retornem. Nem sempre a cirurgia é a única alternativa, existe um medicamento, a base de corticoide, que é usado para reduzir as adenoides quando seu tamanho não é bastante grande, geralmente ele é aconselhado em um caso de reincidência.

Além disso, eles aproveitaram para monitorar seu sono na primeira noite após a cirurgia e ao contrário do que acontecera durante o primeiro exame, Adam não teve nenhuma apneia durante toda a noite e sua oxigenação se manteve em 99%.

Não sei se foi o alívio de não ter mais liquido no ouvido, ou se foi um novo step conquistado, mas Adam saiu da cirurgia extremamente falante, e como sempre encantou a toda a equipe do hospital, reclamou com a enfermeira por ter uma agulha espetada na sua mão direita e bateu palmas quando ela a retirou, e conquistador como é repetia seu nome direitinho e lhe dava um halo (essa é sua palavra mais nova) cada vez que ela entrava no quarto.

E agora, com as amigdalas reduzidas o próximo passo será o uso da placa palatina, mas isso já é conversa para outro post.


Adam às 7h da manhã, se preparando para a cirurgia, aqui eles já haviam dado o suco anestésico.




Adam às 14h do mesmo dia, já havia almoçado e recebido a visita dos Clowns im Dienst, que lhe deram um nariz de palhaço (que ele adora colocar no grande nariz do papai ;))




* Käsespätzle é um prato típico da cozinha Schwäbisch (povo que vive nessa parte do sul da Alemanha). Além de um dialeto específico, cada região também tem sua tradição gastronômica. Trata-se de um macarrão especial com molho de queijo e ervas. Adam adora.



Um comentário:

  1. Passamos pelo mesmo estresse, só que foram 2 cirurgias em nossa filhinha. Adenoidectomia com 2,5 anos e apenas 5 meses depois teve que se submeter à amigdalotomia, devido a tantas apneias que apresentava conforme mostro em videos em meu blog http://amigdalaseadenoides.blogspot.com.br/
    Obrigado por ajudar, pois há diversos pais aflitos neste momento com os mesmos problemas. Um abraço e fique com Deus.

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